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Ninguém escapa do Leão

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Enquanto as atenções da população estão voltadas para a Copa do Mundo e a seleção brasileira, no Congresso Nacional parlamentares aprovam aumento de gastos públicos, como a concessão de benefícios fiscais a transportadoras. Tudo isso porque, às vésperas das eleições, a pressão de grupos econômicos tem surtido efeito sobre os parlamentares.
O Brasil é um país com graves problemas fiscais. Ainda se gasta mais do que arrecada e não há perspectiva a médio e curto prazo para que as contas possam sair do vermelho. A bem da verdade, o governo de Michel Temer (MDB) acabou exagerando nas isenções e fez mais renúncias do que deveria fazer.
Não custa lembrar que o Tribunal de Contas da União (TCU) tem exigido do governo explicações sobre as fontes de recursos para bancar eventuais renúncias. Somente a recente greve dos caminhoneiros, por exemplo, que colocou o Brasil à beira do colapso, rendeu um pacote de R$ 13,5 bilhões em benesses com o objetivo de diminuir o custo do diesel ao setor.
O Brasil ainda não conseguiu se recuperar da paralisação que bloqueou estradas por 11 dias e provocou desabastecimento em todo o país. Os efeitos daquela greve ainda são sentidos pelo brasileiro e devem se prolongar pelos próximos meses.
Para cobrir o rombo, o dinheiro sai do bolso do trabalhador. A Secretaria da Receita Federal anunciou na terça-feira (26) que a arrecadação com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 106,192 bilhões em maio, aumento de 5,68% na comparação com a registrada no mesmo mês do ano passado. Entre os principais fatores que explicam o resultado da arrecadação está o crescimento da receita com Imposto de Renda, com a contribuição social das empresas não financeiras e com receitas relacionadas aos depósitos judiciais de natureza tributária.
Traduzindo para o bom e claro Português: o governo está cobrando mais impostos dos trabalhadores e das empresas. Ninguém escapa da mordida do Leão.
O curioso é que, em tempos de Copa do Mundo e festas juninas, o Congresso Nacional parece estar às moscas. Os parlamentares, às vésperas do recesso em julho e da campanha eleitoral, não estão preocupados em trabalhar. Já estão de olho nos votos que receberão em outubro.
O governo está enfraquecido e sem poder de negociação com o Congresso. Alvo de denúncias e investigações por suposto envolvimento em atos ilícitos, desde o caso JBS até o porto de Santos, passando pela reforma da casa da filha, Temer tenta se equilibrar em uma corda bamba. A impressão que passa é de que ele está sempre com a faca no pescoço e, por isso, tem de abrir concessões aos parlamentares na tentativa de se manter no poder. Assim, a tal “governabilidade” do presidente está totalmente comprometida.
Isso é muito ruim para o Brasil. Para piorar, as eleições de outubro não parecem ser uma luz no fim do túnel. A renovação tende a ser baixíssima e os mesmos figurões devem continuar no poder.

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