Se você está em busca de uma viagem inesquecível, cheia de aventura, emoção, cenários impressionantes e contato direto com a natureza — e o melhor: sem sair do Brasil — o destino perfeito é o Jalapão. Localizado no coração do país, entre as regiões nordeste e norte do Tocantins, o Jalapão se destaca como um verdadeiro santuário ecológico, com paisagens que mesclam cerrado, dunas, rios de águas cristalinas, chapadas, cachoeiras, fervedouros e vegetação única. Um destino que agrada tanto os amantes de ecoturismo quanto os que buscam experiências transformadoras, longe do agito urbano.
A aventura geralmente tem início em Palmas, capital do Tocantins, onde os visitantes podem se preparar para dias intensos de natureza exuberante. A partida rumo ao Jalapão segue por estradas de terra e trechos de difícil acesso, o que já dá um toque de expedição à jornada. Mas é em Ponte Alta do Tocantins, a cerca de 187 km da capital, que os turistas começam a imersão total nesse paraíso escondido. Conhecida como o “portal do Jalapão”, Ponte Alta é o ponto de entrada para uma rota de descobertas, onde o turismo sustentável se une à cultura local e à preservação ambiental.
O Jalapão é uma terra de contrastes, onde a vegetação rasteira do cerrado se mistura com formações rochosas avermelhadas e extensos campos abertos, lembrando uma savana africana. No meio desse cenário exótico e selvagem, surgem cachoeiras deslumbrantes, rios cristalinos, grandes chapadas, cânions estreitos e as famosas dunas douradas, que podem chegar a até 30 metros de altura. É por isso que a região ganhou o apelido de “deserto do Jalapão”. No entanto, esse “deserto” é, na verdade, um oásis de águas abundantes, vegetação rica, flores nativas, animais silvestres e paisagens que mudam de cor e forma com o movimento do sol.
Uma viagem ao Jalapão exige disposição e espírito aventureiro. O ideal é reservar ao menos três a cinco dias para aproveitar bem a expedição. Já no início do trajeto, a paisagem do cerrado encanta com sua vastidão e diversidade. Um dos primeiros pontos de parada é o Cânion de Suçuapara, onde um estreito corredor de pedras abriga um fio de água que escorre por um paredão rochoso de cerca de 15 metros de altura. Mesmo com o pouco volume d’água, o ambiente úmido e a sombra natural refrescam os visitantes e criam um microclima agradável, ideal para o primeiro contato com a natureza vibrante da região.
O percurso total até o Jalapão soma aproximadamente 300 km a partir de Palmas, com trechos que demandam veículos 4×4 e guias experientes. Entre uma parada e outra, os atrativos se sucedem em um ritmo que equilibra adrenalina e contemplação. Um dos grandes destaques da viagem é a canoagem no Rio Novo, que oferece não apenas emoção nas águas, mas também paisagens que parecem ter saído de um cartão-postal.
Na região de Mateiros, outro espetáculo natural surpreende os visitantes: os famosos fervedouros. São nascentes subterrâneas de água onde a pressão do lençol freático é tão intensa que impede o corpo de afundar. A sensação de estar sendo empurrado para cima pela areia enquanto se flutua é, ao mesmo tempo, relaxante e mágica. Alguns dos mais procurados são o Fervedouro Bela Vista e o Fervedouro do Ceiça, cercados por vegetação exuberante e trilhas de acesso que já fazem parte do encanto.
O Fervedouro Encontro das Águas, onde duas nascentes diferentes se encontram, é um dos mais fotogênicos e surpreendentes. A água azul-turquesa, a areia branca e fina e a sensação de leveza total fazem dele um dos locais mais queridos pelos turistas.
Outro lugar que rouba a cena é a Cachoeira do Formiga, uma queda pequena em altura, mas imensa em beleza. As suas águas verde-esmeralda e cristalinas formam uma piscina natural de rara beleza, ideal para banhos refrescantes e momentos de contemplação. A transparência da água é tamanha que se pode ver peixes nadando entre as pedras do fundo — um verdadeiro recanto de paz.
Mas o Jalapão não se resume às águas. A flora e a fauna locais enriquecem ainda mais a experiência. Em meio ao cerrado, com suas árvores retorcidas e resistentes ao clima seco, é possível avistar aves exóticas, pequenos mamíferos, flores únicas e plantas medicinais, como a jalapa, que deu origem ao nome da região. Trilhas cortam a vegetação e, de repente, levam o visitante a paisagens inesperadas: um lago escondido entre as árvores, uma campina aberta ou um campo de dunas alaranjadas, banhadas pelos raios dourados do sol poente.
As dunas do Jalapão são uma das atrações mais procuradas. Com sua areia fina e quente, elas se formam aos pés da Serra do Espírito Santo, e de lá é possível ver o riacho que serpenteia tranquilamente ao redor, criando um contraste visual que emociona. O pôr do sol sobre as dunas é uma das imagens mais marcantes que o visitante pode guardar da viagem.
Para quem gosta de um pouco mais de desafio, a subida de 500 metros até o Mirante da Serra do Espírito Santo é uma experiência imperdível. Do topo, a vista panorâmica do vale é de tirar o fôlego. A erosão natural esculpiu a serra com perfeição artística, criando paredões e fendas que revelam o poder da natureza ao longo dos séculos. A vegetação do cerrado se estende até onde os olhos alcançam, criando uma paleta de cores única.
A Cachoeira da Velha, com seus 20 metros de largura, é a maior da região e impressiona tanto pela força de suas águas quanto pela beleza selvagem ao redor. A neblina formada pelo impacto da água torna o ambiente mais fresco e agradável. Logo abaixo da queda, uma prainha fluvial oferece o cenário ideal para relaxar e se integrar ao ambiente natural.
Outro atrativo cultural importantíssimo é o capim dourado, conhecido como o “ouro do Jalapão”. Essa planta, exclusiva da região, é utilizada por artesãos locais para criar peças belíssimas, como bolsas, chapéus, brincos, pulseiras, porta-joias e bandejas. Em Mateiros, os visitantes podem conhecer de perto o processo de produção, colher alguns fios do capim e adquirir artesanatos diretamente das associações locais, valorizando a economia e a cultura da comunidade.
Ao final da expedição, é comum ver os turistas deixando o Jalapão com o coração cheio e o espírito renovado. Um lugar que, quem visita uma vez, jamais esquece.
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