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Militar com drogas envergonha o Brasil

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O caso do segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso semana passada na Espanha carregando 39 quilos de cocaína em uma das aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) que transportavam integrantes da comitiva do presidente Jair Bolsonaro ao Japão, tem de ser devidamente explicado pelas autoridades. Bolsonaro exigiu “investigação imediata e punição severa” ao militar preso na Espanha, mas até agora o caso parece não ter avançado
O presidente chegou a lamentar o fato de o segundo-sargento da Aeronáutica não ter sido preso com as drogas na Indonésia, país que prevê pena de morte para condenados por tráfico de drogas. Apesar desse tipo de frase de efeito, é preciso ir além.
É difícil acreditar que o sargento da Aeronáutica agia sozinho, sem a ajuda de outras pessoas. Trata-se de um caso de tráfico internacional de drogas, com possíveis ligações de criminosos com influência em Brasília. O próprio vice-presidente da República, general Hamilton Mourao, chamou o militar preso na Espanha de “mula qualificada”. Já o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, classificou o caso de “grave desvio de conduta inaceitável”.
Na quarta-feira (3), o jornal espanhol El País publicou foto da mala com 39 kg de cocaína que foi apreendida com o militar brasileiro em Sevilha. As imagens mostram que a droga estava em 37 pacotes de um pouco mais de 1kg e quase todos enrolados em fita de cor bege. Apenas um deles estava envolto com uma fita amarela.
O que mais chama atenção é o fato de a aeronave em que estava o sargento costuma fazer a rota presidencial antes do avião de Bolsonaro em viagens longas. Assim, fica à disposição da presidência para quando ele pousar no destino. Na viagem de Bolsonaro para o Japão, por exemplo, o avião com o presidente deveria passar por Sevilha, mas pousou em Portugal por causa do incidente.
O que as autoridades precisam esclarecer é localizar quem receberia a droga na Espanha. A suspeita é de que o sargento fazia esse tipo de serviço com frequência. Tanto é que ele nem teve o trabalho de tentar ocultar a droga. Como fazia parte da comitiva do presidente brasileiro, ele não temia ser submetido a nenhum tipo de controle alfandegário.
É inegável que o caso do Manoel Silva Rodrigues mancha a imagem do Brasil no exterior. Se for julgado na Espanha, e não no Brasil, ele poderá ficar preso por 15 anos. Como é um crime com ramificações em diferentes países, há a possibilidade de ele ser julgado no Brasil ou na Espanha.
De acordo com dados do Itamaraty, até o fim de 2018 havia 761 brasileiros cumprindo pena por tráfico internacional ou posse de drogas em outros países. É uma estatística que envergonha o País. A única maneira de diminuir esses números e com o fortalecimento no combate ao tráfico de drogas. Um trabalho árduo e de longo prazo.

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