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Mãe: sinônimo de dedicação e amor

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O trabalho árduo na roça, sob o sol escaldante de Brotas de Macaúba, no interior da Bahia, não deixou marcas profundas na aposentada Maria Lima Ferreira, de 88 anos, uma apaixonada pela vida. “Eu rezo toda noite, pedindo a Deus para viver muitos e muitos anos”, revela. “A vida é uma dádiva de Deus e eu adoro a vida, adoro estar com a minha família é os amigos”, confessa.
O único arrependimento de Maria é ter deixado de lado os estudos, para trabalhar mais de dez horas por dia, plantando arroz, feijão e mandioca. “Era uma coisa ou outra, não dava pra fazer as duas”, avalia a aposentada, que é mãe, avó e bisavó. “Eu enfrentei muita dificuldade por não saber ler e escrever. Quando chegava a conta de luz, tinha de mostrar a um vizinho, pra que ele me dizer qual era o valor”, lembra.
Maria mudou-se em 1969 para São Paulo, não se adaptou e voltou Brotas de Macaúba. Mas não se sentiu à vontade na cidade em que nasceu e cresceu, e retornou à capital paulista, já com os cinco filhos – três mulheres e dois homens. “Aqui, fui cozinheira, copeira, lavadeira e só não fiz faxina porque não tinha forças para isso”, lembra. “Trabalhei também no Hospital Heliópolis, inicialmente como faxineira e depois cuidando dos doentes”, acrescenta.
A aposentada levanta as mãos em agradecimento a Deus, quando questionada se os filhos deram trabalho. “Jamais”, ela afirma, com convicção. “Eu os criei praticamente sozinha, sob as leis de Deus. Todos são ótimos filhos, o que me deixa feliz”, agradece. “A vida é ótima, pois estou andando, falando, enxergando e, agora, fazendo um curso de informática, pra conseguir ver no computador as notícias veiculadas pelas emissoras de televisão”, ela conta. O curso é feito no Cine Favela, em Heliópolis, que faz um belo trabalho social.
O salário de aposentada é baixo e, para não passar necessidades, Maria decidiu pegar latinhas nas ruas. “Não dá muito dinheiro, mas ajuda”, comenta. Ela gravou um vídeo no Cine Favela, em que revelava o desejo de ter um computador. “Eu deixava o dinheiro da aposentadoria na poupança e, no dia a dia, usava o que ganhava com as latinhas. Eu estava precisando de um armário pra cozinha, mas usei o que havia economizado na compra de um computador. Meus filhos apoiaram a decisão”, argumenta. “Meus filhos são meu tesouro, mas tenho de me preocupar também com os netos e os bisnetos”, preocupa-se.

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