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Luto, a dor inevitável

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Assim como a única certeza que temos da vida é a morte, existe o temor de passar por um processo do luto de um ente querido. A morte é, sem dúvida, um evento estressor na vida de qualquer pessoa, gerador de muito sofrimento e de alterações psicológicas, fisiológicas, comportamentais e até sociais. As dificuldades provocadas pelo luto podem incapacitar e desorganizar a vida das pessoas a ponto de não conseguirem lidar com tamanha tristeza.
Existem muitas formas de lidar com a morte, mas, ao se falar em luto, inevitavelmente se fala em tristeza. A maneira como as pessoas vivenciam essa tristeza precisa ser compreendida considerando prioritariamente a civilização, a cultura, a religião e a idade da pessoa. Isso decorre do fato de a morte ter diferentes significados, dependendo do contexto cultural.
Os sintomas relacionados à perda de uma pessoa com quem se teve relacionamento próximo mais comumente relatados são: os emocionais (tristeza profunda, culpa, ansiedade e solidão), os comportamentais (falta de concentração, choro, sonhos com a pessoa falecida, o apego ainda maior a objetos pertencentes ao falecido), os cognitivos (descrença, preocupações, alucinações e confusão mental) e os físicos (falta de ar, maior sensibilidade aos ruídos, falta de energia e despersonalização).
Para não confundir um processo de luto com um quadro de depressão, é importante diferenciar: no luto o sentimento é de vazio e perda, enquanto que na depressão o sentimento é de humor deprimido persistente e incapacidade de antecipar visões positivas do futuro, incluindo a alegria e a felicidade.
Veja as principais diferenças:
LUTO
* Vazio e perda
* A tristeza pode diminuir ao longo de dias ou semanas, aparecendo em “ondas”, ligadas a lembranças do falecido
* A dor do luto pode vir acompanhada de humor positivo
* Autoestima preservada
* Pensamento de “morte” para poder se unir ao falecido
DEPRESSÃO
* Humor deprimido e desesperança.
* Humor deprimido persistente e não relacionado a pensamentos ou lembranças específicas
* Infelicidade e angústia generalizadas
* Sentimento de desvalia e aversão a si mesmo
* Sentimento de morte para acabar com a própria vida, por motivo de desvalia

O Luto pode ser observado em 5 estágios:
1º Negação e Isolamento: servem como mecanismo de defesa temporário, é uma recusa a confrontar-se com a situação
2 º Raiva: as pessoas externalizam o sentimento de revolta, o que pode torná-las agressivas
3º Barganha: seria a tentativa de negociar ou adiar os temores diante da situação, buscando acordos com figuras segundo suas crenças
4º Depressão: momento onde a aceitação está mais próxima. As pessoas ficam quietas, repensando a vida
5º Aceitação: a pessoa está mais serena, quando consegue expressar com mais clareza seus sentimentos, emoções e dificuldades.
O luto normal é uma resposta saudável à perda do ente querido e implica a capacidade adequada das pessoas de expressar a dor a partir do reconhecimento da perda, do reajustamento e de novos investimentos nas suas relações. Mas, quando essas capacidades de lidar com a perda são escassas, pode-se perceber o sofrimento pelos sintomas que se manifestam vinculados à negação e à repressão da perda. Esse sofrimento pode levar a um processo de luto irracional, ou mal adaptativo, sujeito a desencadear um quadro psicopatológico de depressão ou ansiedade, por exemplo.
Para ajudar uma pessoa com dificuldade de superar um processo de luto é necessário criar estratégias de enfrentamento, buscando alternativas de comportamentos e pensamentos mais realistas e adaptativos à nova realidade, através do desenvolvimento de diferentes habilidades, expressões emocionais e interpretações sobre o seu processo de luto e a vida que ainda o espera para ser vivida!

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