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É preciso celebrar a vida

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O sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói com 39 passageiros reféns na terça-feira (20) é mais um reflexo da crise da segurança pública vivida pelo segundo Estado mais rico do Brasil. O sequestro durou cerca de três horas e meia e foi transmitido em rede nacional.
Provocou polêmica também o fato de o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), descer de helicóptero na chegada da Ponte Rio-Niterói minutos depois do desfecho do sequestro comemorando muito com os braços. Os gestos de euforia do político pareciam os de um jogador festejando um gol numa partida de futebol. Não à toa, Witzel teve de dar explicações mais tarde e justificou que naquele momento estava feliz por ver a atuação dos policiais militares, celebrando a vida, e que em nenhum momento manifestou alegria pela morte do sequestrador.
Willian Augusto da Silva foi morto por com tiro disparado por um sniper. Não custa lembrar que a utilização de atiradores de elite no combate à violência foi uma das principais bandeiras de campanha de Witzel na eleição do ano passado. O governador definiu o trabalho de terça-feira como uma ação “técnica” das forças de segurança. Os policiais também foram elogiados pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, entre outros políticos.
É claro que qualquer situação de sequestro e reféns é sempre tensa e pode não acabar bem. Em 2000, também no Rio de Janeiro, um assaltante e uma refém acabaram mortos, em caso exibido ao vivo na televisão, com grande repercussão no Brasil e no mundo, depois de mais de cinco horas de sequestro a um ônibus da extinta linha 174 no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Uma refém foi baleada e o criminoso foi asfixiado e morreu dentro do camburão da Polícia Militar.
Em situações desse tipo, o ideal é que todas as vidas sejam preservadas. No caso do ônibus da Ponte Rio-Niterói, a PM tomou a decisão de salvar os reféns e acabou por matar o sequestrador. Willian intimidava os passageiros com uma arma (que depois foi descoberto que era de brinquedo) e ameaçava a todo momento incendiar o ônibus com garrafas cheias de gasolina. O sequestrador tinha um perfil psicótico. Ele estava com um isqueiro e uma faca, chegou a pedir dinheiro e apontar uma arma para uma das vítimas.
Witzel foi eleito com o discurso apoiado no combate à corrupção e ao tráfico de drogas. O principal problema do Rio, no entanto, passa pelo desenvolvimento econômico. É fundamental o Estado gerar emprego, aumentar o PIB e melhorar os serviços de Educação e Saúde.
O trabalho de combate ao crime tem de ser amplo. Não basta matar bandido. É preciso, por exemplo asfixiar a lavagem de dinheiro. Ao longo dos últimos anos, o Rio perdeu credibilidade, com governadores indo para a cadeia, inclusive. O Estado não tem mais capacidade de investimento em razão da série de escândalos, que acabou provocando a falta de interesse das empresas. Witzel tem de comemorar a geração de empregos, e não somente a morte de bandidos.

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